Skip to content
ADELAT apresentou a Edição Brasil dos Desafios da distribuição de energia elétrica para impulsionar a transição energética na América Latina

Depois de passar por Equador, Panamá e Chile, ADELAT marcou presença no Brasil promovendo a edição “Desafios da distribuição de energia elétrica para impulsionar a transição energética na América Latina”


Compartilhamos com vocês os principais aspectos debatidos nesta edição, assim como as perspectivas norteadoras de cada painelista.

A diretora executiva da ADELAT, Alessandra Amaral apontou a necessidade de “conexão de dados e de coordenação de todos esses novos elementos numa rede em sintonia”, tendo em consideração o contexto atual do setor, segundo o qual a resiliência desempenha um papel protagonista e, por consequência, agrega atitudes e esforços sem precedentes por parte das distribuidoras de energia.

Frederico de Araújo, do MME, se debruçou sobre a necessidade de as distribuidoras de energia elétrica estarem preparadas para as novas atividades que estão surgindo e, assim, serem efetivamente parte dessa transformação. Nesse contexto, o Ministério “quer participar do debate e estamos propondo medidas que viabilizem a aplicação de medição inteligente para todos, isso no âmbito da prorrogação das concessões”, destacou Frederico.


A esse respeito, Leandro Caixeta, da ANEEL, referiu que a agenda de concessões é “extremamente rara, uma concessão de distribuição no Brasil dura 30 anos; é um portal que você abre raramente e queremos aproveitar este portal aberto agora”.  A agência reguladora reconhece a necessidade de se adaptar a tempos de mudança e de aproveitar uma janela como a renovação de concessões para encaixar esses espaços para evoluir. “É preciso ter incentivo para que o consumo coincida com a geração, sendo que com a nossa estrutura tarifária monômia e medidores antigos é muito difícil fazer isso; então, também queremos que os contratos de concessão tenham a possibilidade de diferenciação de tarifa”, complementou. 


De outro lado, Virginia Parente, da USP, expressou-se sobre o custo extra imposto sobre o sistema pelas energias intermitentes, o qual elas não necessariamente carregam. “A regulação precisa botar o dedo na ferida desses custos que são para a segurança do sistema. Tal segurança é um bem público e precisa ser endereçado e tratado como tal”. O custeio dos investimentos necessários é um ponto de atenção no discurso da Virgínia que conclui indagando: “Como iremos fazer com que os investimentos sejam adequados para o público que está agora ou estará usufruindo desses investimentos no futuro?”. Com essa questão a painelista provoca o público, indicando ser o grande desafio encarado pelo setor.

 

Tiago de Barros, da RegE Consultoria, mencionou o fato de que a mudança climática e a transição energética não só implicam a renovação da matriz, mas a eletrificação da economia. “Então, vai haver uma mudança de carga, mas uma mudança de carga que vai ser acompanhada de um montante de investimento bastante significativo”, disse. O consultor enfatizou a necessidade de uma mudança de paradigma que permita pensar em valor e em bem estar social, além de se passar a um modelo de economia de plataforma que une usuários. “A distribuidora já é isso, mas é uma plataforma muito baseada no lado físico. Ela vai ter que se tornar uma plataforma de comunicação e uma plataforma digital”. Tiago destaca que os investimentos adicionais para essa digitalização e modernização não cabem na tarifa de quem paga megawatt/hora. “Aí entra algo que está no modelo trazido pelo Ministério e pela ANEEL para se ter no novo contrato, que é a ideia de as Outras Receitas terem uma participação maior na remuneração desses ativos”, complementou.

Dayanni Grassano, da Equatorial Energia, fez uma reflexão acerca da relevância da rede. “Precisamos ter uma rede adequada para o propósito, pois, sem rede de distribuição, a transição energética não vai acontecer”. Nesse sentido, compartilhou que a Equatorial não pensa apenas em levar a rede para a população, mas também em preparar a rede para os novos entrantes e suas particularidades, além de se preocupar com os reflexos sobre a tarifa. “Estamos na região Norte e Nordeste, áreas onde a tarifa de energia é elevada e o poder aquisitivo é baixo, então temos uma preocupação em relação à capacidade de pagamento do consumidor”, concluiu.

Faça o download do policy paper em português aqui.