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ADELAT encerra sua jornada de 2023 focada no protagonismo das distribuidoras com a realização da Edição Brasil “Desafios da distribuição de energia elétrica para impulsionar a transição energética na América Latina”

A ADELAT, junto com representantes do Ministério de Minas e Energia (MME) do Brasil, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), da Equatorial Energia, da Universidade de São Paulo e da RegE Consultoria, realizou no Brasil a edição “Desafios da distribuição de energia elétrica para impulsionar a transição energética na América Latina”, já realizada no Equador, Panamá, Chile e Uruguai.

O evento também teve a participação do presidente da ADELAT, David Felipe Acosta Correa., e do diretor de regulação da EDP Brasil, Luiz Felipe Falcone de Souza, que proferiram as palavras de abertura do encontro.

David Felipe ressaltou a relevância de se aplicar planos de investimentos, ou seja, planos eficazes para cada concessão do Brasil, enquanto Luiz Felipe reparou que o sucesso do Brasil em já ter configurado sua matriz como predominantemente renovável permite ampliar a discussão a outros temas como a relevância do consumidor, a estrutura de custos, entre outros aspectos particulares do Brasil.

A diretora executiva da ADELAT, Alessandra Amaral, fez uma exposição das principais mensagens contidas no paper publicado pela associação em maio deste ano. Alessandra apontou a necessidade de “conexão de dados e de coordenação de todos esses novos elementos numa rede em sintonia”, tendo em consideração o contexto atual do setor, segundo o qual a resiliência desempenha um papel protagonista e, por consequência, agrega atitudes e esforços sem precedentes por parte das distribuidoras de energia.

Complementando os dados e conceitos do paper da ADELAT, os painelistas convidados compartilharam perspectivas e vivências sobre aspectos valiosos ao debate para avançar e formatar distribuidoras modernas, resilientes e flexíveis, que atuarão como catalisadoras da transição energética no Brasil e na América Latina.


Frederico de Araújo, do MME, se debruçou sobre a necessidade de as distribuidoras de energia elétrica estarem preparadas para as novas atividades que estão surgindo e, assim, serem efetivamente parte dessa transformação. Nesse contexto, o Ministério “quer participar do debate e estamos propondo medidas que viabilizem a aplicação de medição inteligente para todos, isso no âmbito da prorrogação das concessões”, destacou.


A esse respeito, Leandro Caixeta, da ANEEL, referiu que a agenda de concessões é “extremamente rara, uma concessão de distribuição no Brasil dura 30 anos; é um portal que você abre raramente e queremos aproveitar este portal aberto agora”. A agência reguladora reconhece a necessidade de se adaptar a tempos de mudança e de aproveitar uma janela como a renovação de concessões para encaixar esses espaços para evoluir. “É preciso ter incentivo para que o consumo coincida com a geração, sendo que com a nossa estrutura tarifária monômia e medidores antigos é muito difícil fazer isso; então, também queremos que os contratos de concessão tenham a possibilidade de diferenciação de tarifa”, complementou. 

Desde o âmbito acadêmico, Virginia Parente, da USP, expressou-se sobre o custo extra imposto sobre o sistema pelas energias intermitentes, o qual elas não necessariamente carregam. “A regulação precisa botar o dedo na ferida desses custos que são para a segurança do sistema. Tal segurança é um bem público e precisa ser endereçado e tratado como tal”. O custeio dos investimentos necessários foi um ponto de atenção no discurso da painelista, que conclui indagando: “Como iremos fazer com que os investimentos sejam adequados para o público que está agora ou estará usufruindo desses investimentos no futuro?”. Com essa questão a painelista provocou o público, indicando ser o grande desafio encarado pelo setor.

Tiago de Barros, da RegE Consultoria, mencionou o fato de que a mudança climática e a transição energética não só implicam a renovação da matriz, mas a eletrificação da economia. “Então, vai haver uma mudança de carga, mas uma mudança de carga que vai ser acompanhada de um montante de investimento bastante significativo”, disse. O consultor enfatizou a necessidade de uma mudança de paradigma que permita pensar em valor e em bem-estar social, além de se passar a um modelo de economia de plataforma que une usuários. “A distribuidora já é isso, mas é uma plataforma muito baseada no lado físico. Ela vai ter que se tornar uma plataforma de comunicação e uma plataforma digital”. Tiago destacou que os investimentos adicionais para essa digitalização e modernização não cabem na tarifa de quem paga megawatt/hora. “Aí entra algo que está no modelo trazido pelo Ministério e pela ANEEL para se ter no novo contrato, que é a ideia de as Outras Receitas terem uma participação maior na remuneração desses ativos”, complementou.

Dayanni Grassano, da Equatorial Energia, fez uma reflexão acerca da relevância da rede. “Precisamos ter uma rede adequada para o propósito, pois, sem rede de distribuição, a transição energética não vai acontecer”. Nesse sentido, compartilhou que a Equatorial não pensa apenas em levar a rede para a população, mas também em preparar a rede para os novos entrantes e suas particularidades, além de se preocupar com os reflexos sobre a tarifa. “Estamos na região Norte e Nordeste, áreas onde a tarifa de energia é elevada e o poder aquisitivo é baixo, então temos uma preocupação em relação à capacidade de pagamento do consumidor”, concluiu.

O evento fortaleceu a conexão entre diferentes atores do mercado de energia, permitindo a abertura de debates sobre questões pertinentes à transformação do setor, com vistas não somente aos desafios do futuro, mas principalmente àqueles que já estão presentes na cotidianidade do segmento.

 

Faça o download do policy paper em português aqui.

Sobre ADELAT

Associação de Distribuidores de Energia Elétrica da América Latina é uma organização sem fins lucrativos, criada no final de 2021. Pretende ser uma referência na atividade de distribuição elétrica com o objetivo de promover e acompanhar o processo de transformação da distribuição elétrica latino-americana no âmbito da transição energética.