ADELAT realizou o webinar “Eletricidade e Telecomunicações na América Latina: Compartilhando Infraestrutura e Serviços”
A Associação Latino-Americana de Distribuidores de Energia Elétrica realizou o primeiro encontro do ano da série Voz Especializada ADELAT. O foco foi a análise dos benefícios e desafios do compartilhamento de infraestrutura entre as empresas de eletricidade e telecomunicações da região.
A cerimônia de início foi conduzida pela diretora executiva da Associação, Alessandra Amaral. Em seguida, Roberto Cajamarca, Diretor de Gestão do Conhecimento, apresentou as principais conclusões do último DSO Brief, “Novas sinergias entre eletricidade e telecomunicações”.
Cajamarca destacou o papel da energia como facilitadora da conectividade e a importância das empresas de telecomunicações para permitir a digitalização das redes elétricas. Nesse sentido, ele explicou que “a tecnologia 5G e a fibra óptica são essenciais para a modernização dos sistemas de distribuição elétrica, pois permitem a implantação de redes inteligentes, medição inteligente e gestão da demanda”.
Ele também destacou os principais desafios para o compartilhamento de infraestrutura, como a fragmentação regulatória, a remuneração insuficiente pelo uso compartilhado e a proliferação de operadoras de telecomunicações, entre outros. Em seguida, ele analisou a situação atual em cinco países da região e citou casos bem-sucedidos implementados na Itália, Irlanda e Japão.
Logo, Amaral deu lugar aos especialistas convidados. O primeiro palestrante foi Carlos Alberto Calixto Mattar, Diretor do Grupo de Trabalho de Energia Elétrica da ARIAE e Superintendente de Regulação de Serviços de Distribuição da ANEEL. Ao longo de sua apresentação, Mattar aprofundou sobre o contexto regulatório brasileiro. Nesse sentido, ele afirmou: “Temos um plano de regularização que contempla uma série de regras, que foi apresentado para consulta pública em 2021 e ainda não foi devidamente finalizado com as empresas de telecomunicações”.
Por outro lado, ele destacou que os principais desafios são a ocupação desordenada e clandestina, a baixa priorização de atividades de uso compartilhado pelas distribuidoras, o aumento de custos e o desequilíbrio na relação entre distribuidoras e empresas de telecomunicações.
Em seguida, Alejandra Arenas Pinto compartilhou sua experiência como Coordenadora de Desenho Regulatório da Comissão Reguladora de Comunicações da Colômbia (CRC). Ele destacou como marco a aprovação de uma lei em 2019 que concedeu à CRN autoridade para regulamentar o compartilhamento de infraestrutura. Ele explicou que resoluções subsequentes reduziram as tarifas para o uso compartilhado de postes, dutos e torres para incentivar a expansão do agrupamento de cabos e facilitar a expansão da cobertura.
“Usamos o conceito de custo de oportunidade para estabelecer qual deveria ser o valor para a operadora de telecomunicações considerar economicamente razoável compartilhar a infraestrutura”, explicou. No entanto, entre os desafios que permanecem, ela afirmou que “o setor elétrico continua percebendo que a regulação favorece as telecomunicações” e que é preciso analisar mecanismos que garantam o compartilhamento recíproco para que o setor elétrico também possa acessar a infraestrutura de telecomunicações.
Seguidamente, Alberto Villa, Chefe de Serviços Avançados de Redes da ENEL, apresentou sua visão sobre os benefícios do compartilhamento de recursos. “Usar a infraestrutura existente permite economias significativas nos custos de construção e nos tempos de comissionamento, além de trazer benefícios não apenas econômicos, mas também ambientais e de sustentabilidade”, afirmou.
No caso europeu, ele observou que grandes torres de antenas são instaladas em subestações elétricas, enquanto antenas 5G são instaladas em postes e outros elementos da rede elétrica. Ele também mencionou que a Itália está buscando desenvolvimentos sustentáveis e sinérgicos para utilizar estações de carregamento de veículos elétricos. “O objetivo é garantir um desenvolvimento eficiente, eficaz, equitativo e sustentável”, concluiu.
Finalmente, Atila Branco, CTO da Fibrasil, afirmou que a fibra neutra é o método mais simples e fácil adotado por muitas distribuidoras de banda larga brasileiras. Ele afirmou que essa alternativa tem um mercado grande, mas precisa ser consolidada; e que é necessário regularizar a situação e estabelecer preços saudáveis que representem um benefício mútuo.
Para concluir, foi aberta uma área de discussão onde os participantes tiveram a oportunidade de fazer perguntas aos especialistas.
Agradecemos a todos os participantes por fazerem parte deste encontro, que esperamos ser o primeiro de muitos que compartilharemos ao longo de 2025 com o objetivo de continuar a construir conhecimento que nos permitirá percorrer uma transição energética eficaz e sustentável.
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