Geração distribuída: ADELAT propõe um quadro regulatório sustentável para as redes do futuro
A Associação de Distribuidoras de Energia Elétrica Latino-Americanas (ADELAT) lançou o DSO Brief “Geração Distribuída: Rumo a um Modelo Regulatório Sustentável para a Distribuição de Energia Elétrica”, um documento que analisa a expansão da geração distribuída (GD) na América Latina e no Caribe e suas implicações para o modelo de distribuição de energia elétrica.
O relatório aborda os principais desafios técnicos, econômicos e regulatórios associados à integração da geração distribuída (GD), com base em seus efeitos na operação das redes, na sustentabilidade do serviço e no planejamento da infraestrutura. Também destaca as oportunidades que oferece para modernizar a rede, melhorar a flexibilidade do sistema e fortalecer o relacionamento com os usuários.
Este documento foi apresentado no último encontro da série Voz Especializada, que reuniu figuras de destaque do setor. Entre os palestrantes estavam Fernando Zaquine, sócio e gerente de projetos da CALDEN Consultoría (Brasil); Roland Luza, gerente adjunto de Pequena Demanda da EDESA (Argentina); Guilherme Chrispim, diretor da S2 Latam (Brasil); e Félix Canales, chefe de Gestão Regulatória da Comissão Nacional de Energia (Chile), que compartilharam experiências e perspectivas sobre como as distribuidoras podem se transformar em gestoras ativas dentro do novo ecossistema energético.
A geração distribuída, especialmente a solar fotovoltaica, tornou-se um dos fenômenos mais transformadores no setor elétrico. Na América Latina e no Caribe, sua expansão está se acelerando, impulsionada pela redução dos custos da tecnologia, pela conscientização ambiental e pelo interesse dos usuários em participar ativamente da gestão de sua energia.
No entanto, seu avanço apresenta desafios significativos. A geração distribuída (GD) transforma redes passivas em sistemas ativos, nos quais as distribuidoras de energia elétrica devem equilibrar a variabilidade, manter a qualidade do fornecimento e coordenar os recursos distribuídos de forma eficiente e segura. Este estudo examina os desafios técnicos, econômicos e regulatórios envolvidos nesse processo, bem como as novas demandas de planejamento, controle e modernização necessárias.
A integração adequada dessa nova realidade exige inovação tecnológica em armazenamento distribuído, digitalização e redes inteligentes, juntamente com uma profunda evolução regulatória. Os marcos regulatórios tradicionais devem se adaptar para reconhecer o valor da flexibilidade, resiliência e serviços de rede que os recursos distribuídos proporcionam.
Em suma, garantir o desenvolvimento sustentável da geração distribuída exige o fortalecimento do papel técnico, operacional e econômico das empresas de distribuição. Somente com marcos regulatórios que reconheçam sua função como garantidoras da estabilidade, equidade e sustentabilidade do sistema elétrico será possível avançar rumo a uma transição energética segura, inclusiva e consistente, alinhada às capacidades reais das redes.
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